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Senado debate esta semana PEC que reduz jornada para 40 horas e acaba com a escala 6x1

O Plenário reservou as sessões de terça (6) a quinta-feira (8) para discutir a proposta aprovada pela Câmara em maio. Para virar regra, ela precisa de 49 dos 81 votos em dois turnos.

Senado debate esta semana PEC que reduz jornada para 40 horas e acaba com a escala 6x1

O fim da escala 6x1 está na pauta do Senado nesta semana. O Plenário reservou as sessões de terça (6), quarta (7) e quinta-feira (8), a partir das 14h, para debater a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019. O texto reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário.

A proposta garante dois dias de descanso remunerado por semana, um deles preferencialmente no domingo, e mantém o limite de 8 horas por dia.

Por que importa

A mudança mexe na rotina de quem trabalha com carteira. O setor privado tinha 39,5 milhões de empregados com carteira no trimestre encerrado em agosto, segundo o IBGE. Na leitura do parecer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o relator citou estimativa de que mais de 37 milhões de trabalhadores serão beneficiados. Mais de 57% deles são mulheres.

O limite de 44 horas semanais está na Constituição desde 1988. Antes disso, a jornada máxima era de 48 horas.

Como a PEC chegou até aqui

  • 2019: o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) apresenta a PEC 221, com jornada de 36 horas.
  • 27 de maio de 2026: a Câmara aprova o substitutivo do deputado Leo Prates (Republicanos-BA), com 40 horas. O placar foi de 472 a 22 no primeiro turno e de 461 a 19 no segundo.
  • 2 de setembro: a CCJ do Senado aprova o texto e rejeita as 36 emendas.
  • 6 a 8 de outubro: debate no Plenário do Senado.

O que muda e quando

Os prazos contam a partir da promulgação da emenda.

RegraHoje2 meses após a promulgação14 meses após a promulgação
Jornada semanal máxima44 horas42 horas40 horas
Descanso semanal remunerado1 dia2 dias2 dias
Limite diário8 horas8 horas, com exceções por acordo8 horas
Salário—Sem reduçãoSem redução

Quem já trabalha 40 horas ou menos não terá nova redução, mas também passa a ter dois dias de descanso.

Quem tem regras especiais

  • Escala 12x36 e serviços essenciais (saúde, segurança, transporte, limpeza urbana): leis próprias podem criar regimes diferenciados, com folgas compensadas no mês.
  • Diploma superior e salário alto: o limite de horas pode não valer para quem tem nível superior e ganha mais de 2,5 vezes o teto do INSS. Em 2026, isso dá R$ 21.188,87. A folga de dois dias continua obrigatória.
  • MEI, micro e pequenas empresas: terão regras de transição em lei complementar.
  • Terceirizados do poder público: a redução depende de aditivo ao contrato, em até um ano.

Quanto vale sua hora

O Ouviram calculou: se você ganha um salário mínimo (R$ 1.621), sua hora de trabalho passaria de R$ 7,37 para R$ 8,11 com 40 horas semanais. São 10% a mais por hora, com o mesmo salário.

Quatro horas a menos por semana somam 208 horas por ano, ou 26 jornadas de 8 horas. Como calculamos: salário dividido por 220 e por 200 horas mensais, divisores das jornadas de 44 e 40 horas; e 4 horas vezes 52 semanas.

Como funciona a votação no Senado

Pelo regimento, a PEC passa por cinco sessões de discussão antes do primeiro turno e por mais três antes do segundo. A CCJ aprovou pedido de calendário especial, que permite encurtar esses prazos.

Em cada turno, são necessários 49 votos favoráveis. Se o Senado mudar o texto, a proposta volta para a Câmara. Se aprovar sem alterações, a emenda é promulgada pelas Mesas das duas Casas, sem sanção ou veto do presidente da República.

O que dizem os senadores

Em nota, a Presidência do Senado afirmou que o tema "será debatido com responsabilidade, equilíbrio e respeito às diferentes perspectivas envolvidas".

"Reduzir a jornada não é trabalhar menos para produzir menos; é trabalhar melhor, é modernizar a economia e produzir mais", disse o senador Paulo Paim (PT-RS) nesta terça-feira (6), em discurso no Plenário.

Na CCJ, em 2 de setembro, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) defendeu cautela com a definição da escala no texto constitucional. "É muito complicado colocar na Constituição a definição de uma escala fixa", afirmou. O senador Rogério Marinho (PL-RN) apresentou a PEC 12/2026, que prevê a possibilidade de o empregado optar pela jornada de trabalho.

Para famílias e estudantes

Com dois dias de folga, pais e mães que trabalham em escala 6x1 teriam mais um dia livre com os filhos. Para quem trabalha e estuda, sobra espaço na semana para aulas e para o preparo de provas como o Enem.

O que vem agora

  • 6, 7 e 8 de outubro: sessões de debate no Plenário do Senado, a partir das 14h.
  • Próximas semanas: votação em primeiro e segundo turnos, com data a definir pela Presidência do Senado.
  • Depois da promulgação: dois meses para valerem os dois dias de folga e a jornada de 42 horas; 14 meses para as 40 horas.

A pauta e as transmissões ficam no portal do Senado. Veja também o Senado eleito em 2026 e os dados do emprego com carteira.

Perguntas frequentes

O que é a escala 6x1?

É a escala de seis dias de trabalho para um de descanso, possível hoje com a jornada máxima de 44 horas semanais. A PEC 221/2019 garante dois dias de descanso remunerado por semana, um deles preferencialmente no domingo.

Quando acaba a escala 6x1?

Ainda depende do Senado. Se a PEC for aprovada sem mudanças e promulgada, os dois dias de descanso e a jornada de 42 horas valem dois meses depois, e as 40 horas, 14 meses depois da promulgação.

O salário vai diminuir com a jornada de 40 horas?

Não, pelo texto aprovado na Câmara. A redução vale sem diminuição de salário, inclusive para os pisos salariais.

Quem fica de fora da jornada de 40 horas?

O texto permite não aplicar os limites de horas a empregados com diploma de nível superior que ganham mais de 2,5 vezes o teto do INSS, por decisão do empregador ou por acordo coletivo. Os dois dias de descanso continuam valendo.

A PEC do fim da escala 6x1 precisa de sanção do presidente?

Não. Emendas à Constituição aprovadas nas duas Casas são promulgadas pelas Mesas da Câmara e do Senado, sem sanção ou veto.

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