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Cinco leituras do 1º turno de 2026 a partir dos números do TSE
Flávio Bolsonaro (PL) terminou o 1º turno com 2,2 milhões de votos a mais que Lula (PT). Os dados do TSE mostram um país dividido por regiões, comparecimento estável e um Congresso com nova correlação de forças.

O 1º turno das eleições de 2026, em 4 de outubro, levou Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) ao 2º turno, renovou dois terços do Senado e toda a Câmara e definiu 20 dos 27 governadores. Com 100% das seções totalizadas, os arquivos oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permitem algumas leituras sobre o comportamento do eleitor.
Esta análise se limita a esses dados e aos registros oficiais da Câmara e do Senado. Ela não usa pesquisas de opinião nem projeta o resultado de 25 de outubro. Os números completos estão no resultado do 1º turno para presidente e na página de resultados das eleições 2026.
1. O comparecimento ficou estável
O eleitorado apto chegou a 158.745.502 pessoas, 2,3 milhões a mais que em 2022. Compareceram 125.275.835 eleitores, ou 78,92%. A abstenção foi de 21,08%, praticamente igual aos 20,95% do 1º turno de 2022, segundo o TSE.
Os votos em branco subiram de 1,59% para 1,84% do total, e os nulos, de 2,82% para 2,93%. Somados, brancos e nulos chegaram a 5.975.047 votos, número maior que a diferença entre os dois primeiros colocados.
O comparecimento variou entre os estados. Foi mais alto no Ceará (84,48%), em Roraima (82,88%) e no Piauí (82,85%), e mais baixo em Mato Grosso do Sul (76,13%), no Rio de Janeiro (76,68%) e em Minas Gerais (77,19%). Entre os brasileiros inscritos no exterior, só 37,31% votaram.
2. O mapa regional
Somados os votos por região, Flávio Bolsonaro ficou à frente no Sul (60,08% dos votos válidos, ante 31,28% de Lula), no Centro-Oeste (56,51% a 32,62%), no Sudeste (51,36% a 39,68%) e no Norte (49,15% a 44,65%). Lula ficou à frente no Nordeste (63,77% a 30,85%) e entre os eleitores do exterior (47,57% a 43,49%).
Por unidade da federação, Flávio Bolsonaro teve mais votos em 15 e Lula, em 12. A menor diferença entre as regiões foi no Norte, de 4,5 pontos; a maior, no Nordeste, de 32,9 pontos.
O Sudeste, que reúne os três maiores eleitorados do país, pesou na diferença final. Só em São Paulo, Flávio Bolsonaro teve 3.416.610 votos a mais que Lula, saldo maior que a vantagem nacional de 2.224.965 votos. Na Bahia, o saldo de Lula foi de 3.222.186 votos.
3. Estados de vitória larga e estados apertados
Em 12 unidades da federação, um dos dois candidatos passou de 60% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro superou essa marca em Roraima (71,06%), Rondônia (67,45%), Santa Catarina (66,65%), Mato Grosso (65,15%) e Acre (64,56%). Lula a superou no Piauí (70,99%), na Bahia (66,17%), no Maranhão (63,99%), em Pernambuco (63,45%), no Ceará (63,29%), em Sergipe (62,75%) e na Paraíba (61,31%).
Em três estados, a diferença ficou abaixo de cinco pontos. No Amapá, Lula terminou com 225 votos a mais, a menor distância do país. No Amazonas, Lula teve 3,23 pontos de vantagem. Em Minas Gerais, segundo maior eleitorado, Flávio Bolsonaro ficou 4,91 pontos à frente, com 588.612 votos a mais.
Em números absolutos, os maiores saldos de Flávio Bolsonaro vieram de São Paulo, do Paraná (1.890.748 votos) e de Santa Catarina (1.872.852). Os de Lula vieram da Bahia, de Pernambuco (1.815.928) e do Ceará (1.798.413).
4. Um Congresso com o PL na maior bancada
Na Câmara, o PL elegeu 119 deputados entre as 488 vagas já definidas pelo TSE. A federação formada por PT, PCdoB e PV elegeu 84, e a federação União Progressista, de União Brasil e PP, 83. As 25 vagas de Pernambuco aguardam o reprocessamento da eleição no estado. Em 2022, o PL havia eleito 99 deputados, e a federação do PT, 80, segundo a Câmara.
No Senado, das 54 cadeiras em disputa, o PL ficou com 19, o MDB com 7 e o PT com 6. Somados os eleitos aos 27 senadores com mandato até 2031, pela filiação atual registrada nos dados abertos do Senado, o PL passa a ter 28 das 81 cadeiras. A conta pode mudar com trocas de partido e com a posse de suplentes de senadores eleitos governadores.
Os detalhes por partido estão nas matérias sobre a nova Câmara dos Deputados e os senadores eleitos. Qualquer que seja o presidente eleito, a aprovação de propostas que dependem do Congresso passará por essa composição.
5. O que está em jogo no 2º turno
A diferença entre os dois primeiros colocados foi de 2.224.965 votos, ou 1,87 ponto percentual. Os outros dez candidatos somaram 9.316.747 votos (7,81% dos válidos), com destaque para Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), que tiveram cada um mais de 2% dos votos válidos.
Além desses eleitores, há os 5.975.047 que votaram em branco ou anularam e os 33.469.244 que não compareceram, e que podem votar normalmente em 25 de outubro. Pelo artigo 77 da Constituição, vence o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos, sem contar brancos e nulos.
Nos estados, a eleição para governador ficou mais definida do que em 2022. Foram 20 governadores eleitos no 1º turno, ante 15 há quatro anos, e o 2º turno acontece em sete unidades da federação: Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins. As disputas estão na matéria sobre os governadores eleitos e o 2º turno nos estados.
Os números do 1º turno mostram onde e quanto cada candidato recebeu de votos, mas não explicam as razões do voto. O presidente eleito em 25 de outubro tomará posse em 5 de janeiro de 2027.
Perguntas frequentes
Quem venceu o primeiro turno da eleição de 2026?
Flávio Bolsonaro (PL) teve 47,03% dos votos válidos e Lula (PT), 45,16%, segundo o TSE. Como nenhum dos dois passou de 50%, a disputa vai ao 2º turno em 25 de outubro.
A abstenção cresceu em 2026?
Pouco. A abstenção foi de 21,08% do eleitorado, ante 20,95% no 1º turno de 2022, segundo o TSE.
Em quais regiões cada candidato teve mais votos?
Flávio Bolsonaro teve mais votos no Sul, no Centro-Oeste, no Sudeste e no Norte. Lula teve mais votos no Nordeste e entre os eleitores que votam no exterior.
Quantos governadores foram eleitos no primeiro turno de 2026?
Foram 20 governadores eleitos no 1º turno. Sete unidades da federação terão 2º turno, ante 12 em 2022.
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